quinta-feira, 25 de agosto de 2011

manejo em suinocultura


1- INTRODUÇÃO
        
         A criação de suíno representa um importante papel, entre as atividades pecuárias do Brasil, pois é uma das atividades que gera emprego e mão-de-obra, fixa o homem no campo, e é um dos setores que mais gera recursos financeiros, além de fornecer alimentos de alto valor biológico para o consumo da população. No Brasil, a suinocultura é bastante desenvolvida, sendo caracterizada na maioria das vezes, por criação do tipo semi-intensivo e intensivo e em menor escala por criações do tipo extensiva (BONETT, 2010).
         A saúde da população, o meio ambiente e, sobretudo o bem estar animal deve ser respeitado quando o objetivo é produzir suínos com qualidade. Na prática, nem sempre esses princípios são observados originando verdadeiras concentrações de animais manejados inadequadamente. O suinocultor deve estar sempre atento para fatores importantes como manejo sanitário e manejo zootécnico, pois deles também dependem o sucesso do empreendimento (SAAB, 2010).       
Apesar de ser a carne mais consumida no mundo, com cerca de 40% do consumo total de carnes, o comércio internacional, anualmente, participa com menos de cinco milhões de toneladas, sendo ultrapassada em volume pelas carnes de aves e bovinos. Trata-se de uma cadeia produtiva bem organizada, com boa coordenação das agroindústrias, que têm cada vez mais se desenvolvida e equiparando-se às dos países desenvolvidos. A produção industrial brasileira tem passado por inúmeros avanços nesses últimos anos. Tecnologias como a inseminação artificial, melhoramento genético, biossegurança, sanidade, nutrição entre outros, têm sido cada vez mais incorporadas à suinocultura, contribuindo para o crescimento do rebanho e aumento da produtividade (SAAB, 2010).       
O objetivo deste relatório é descrever as atividades desenvolvidas e acompanhadas durante o Estágio Supervisionado no Setor de Suinocultura do Centro de Ciências Humanas Sociais e Agrárias, como parte das exigências para conclusão do Curso Técnico em Agropecuária.

 2- CARACTERIZAÇÃO DO TRABALHO

         O estágio supervisionado foi realizado no Setor de Suinocultura da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Centro de Ciências Humanas Sociais e Agrárias (CCHSA), Colégio Agrícola “Vidal de Negreiros” (CAVN). Orientado pelo Prof. Dr. Leonardo Augusto Fonseca Pascoal.

  3- CARACTERIZAÇÃO DO SETOR

       O Setor de Suinocultura está localizado em uma área de aproximadamente 1,5 ha, alojando em suas dependências um plantel de 115 animais entre reprodutores, matrizes e leitões, descendentes das principais raças estrangeiras criadas no Brasil: Landrace, Large White, Duroc, Pietrain e Hampshire.
         A estrutura física do setor é basicamente composta por: baias de maternidade convencional, gestação coletivas, pré cobrição, reprodutores, e creche. Outras instalações compõem o setor tais como: escritório, depósito de ração, laboratório dispondo de medicamentos, material cirúrgico e higiênico, também fazem parte do setor um carro de mão é um carrinho para o transporte de lavagem que são utilizados nas necessidades do setor e Sete gaiolas de metabolismo para os experimentos que são feito no Setor de Suinocultura.

4- SISTEMA DE CRIAÇÃO

         O sistema de criação do Setor de Suinocultura do CCHSA/UFPB é sistema semi – intensivo, com controle da criação, existindo baias individuais e coletivas, onde só os animais destinados à reprodução têm acesso ao piquete, recebem os raios solares que promovem a síntese da vitamina D, além de entrar em contato com solo, e outros fatores que favorecem a reprodução.




5- Raças

         As raças criadas no Setor de Suinocultura da UFPB/ CCHSA são descendentes das principais raças estrangeirais criadas no Brasil: Landrace, Large White, Pietrain, Duroc e Hampshire, animais com alto potencial genético, destinados à produção de carne. As raças suínas são caracterizadas pelo tipo de perfil, cabeça, orelhas assim como tamanho corporal e pelagem.
Figura 01 - Tipos de perfis
perfil



Caixa de texto:         Retilíneo                 côncavilineo                    ultraconcavilineo

Orelhas

 Figura 02 - Tipos de orelhas

      Asiática                       Céltica                            Ibérica
 









5.1 Landrace
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Figura 03: Reprodutor da raça Landrace, pertence ao Setor de Suinocultura (CCHSA/UFPB).

         Raça originária da Dinamarca, onde foi selecionada e espalhada para a Europa e Estados Unidos, a Dinamarca a certa altura proibiu a exportação e os países que já tinham exemplares desta raça continuaram a selecioná-la. Somente em 1973 a Dinamarca novamente liberou a sua exportação, chegando os primeiros exemplares ao Brasil. Aqueles já existentes eram originários da Suécia e chegaram por volta de 1955.
         São animais totalmente brancos com orelhas do tipo célticas ou caídas, perfil nasal retilíneo ou sub-côncavo.         Trata-se de uma raça altamente prolífera precoce e produtiva. Animais muito compridos com pernis de excelente conformação. As fêmeas são excelentes criadeiras tendo freqüentes grandes leitegadas.
         Os animais da raça Landraces são conhecidos por produzirem grandes leitegadas, pelas habilidades maternas e pela percentagem de carne magra, infelizmente apresentam com freqüência sérios problemas de aprumos e cascos menos resistentes (SAAB, 2010).







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5.2 Large White

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Figura 04: Reprodutor da raça Large White, pertence ao setor de suinocultura (CCHSA/UFPB)

         A raça Large White também chamada de Yorkshyre é originária da Inglaterra do condado de York e de alguns condados vizinhos. De todas as raças suínas a Large White foi a que mais difundiu e prestigiou a suinocultura britânica pelo mundo a fora. Caracteriza-se por ter uma pelagem totalmente branca, orelhas do tipo asiáticas ou em pé, o perfil nasal côncavo (SAAB, 2010).
         São animais longos, possuindo boa conformidade de pernil, que são cheios e profundo até os jarretes, possuem lombo comprido, porém com menor área de olho lombar que a raça Landrace, é excelente quanto à prolificidade, sendo suas fêmeas, excelentes mães.










5.3 Pietrain             

IMG_0439                                                                                  Figura 05: Reprodutor da raça Pietrain, pertence ao setor de suinocultura (CCHSA/UFPB).

         Raça originaria da Bélgica com pelagem malhada de preto (oveira), é conhecida como raça dos quatro pernis, por possuir uma excelente massa muscular nos membros anterior. Caracteriza-se por possuir orelhas do tipo asiática, ser animais de enorme desenvolvimento de pernil, possui excelente área lombar e suas fêmeas sendo boas mães (SAAB, 2010).
         Essa raça apresenta com freqüência problemas cardíacos, a carne do Pietrain não é considerada de boa qualidade, sendo do tipo P.S.E (palid=pálida; soft=mole; exsudative=exudativa), possuem baixa velocidade de ganho de peso (SAAB, 2010).


5.4 Duroc




Figura 06: Reprodutor da raça Duroc, pertence ao setor de suinocultura (CCHSA/UFPB)  

         A raça Duroc surgiu do cruzamento de vários porcos vermelhos da região de Nova York, New Jersey. A raça era chamada de Duroc Jersey, nome que derivou da combinação de duas linhagens mais populares da época, a Jersey e a Duroc. Possui orelhas do tipo ibéricas, perfil retilíneo ou sub côncavo, pelagem vermelha escuro, com mucosa marrom.
         É uma raça rústica, muito adaptada as nossas condições tropicais. Possui boa carcaça, velocidade de ganho de peso e excelente conversão alimentar. As fêmeas não são boas mães, tem com freqüência problemas de tetos cegos e invertidos, pouca produção leiteira, por isso as fêmeas não são muito utilizadas em cruzamentos, por não ser considerada uma raça de bons atributos maternos (SAAB, 2010).

5.5 Hampshire

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Figura 07: Reprodutor da raça Hampshire, pertence ao setor de suinocultura (CCHSA/UFPB)

         É originária do condado de Boon Kentuucky, nos Estados Unidos,tendo como  a característica mais marcante a faixa que ostenta em volta das paletas envolvendo também as patas dianteiras.
         No Brasil essa raça se adaptou muito bem, tendo sido introduzida em meados da década de 50. A faixa branca não é estável devido ao clima temperado quente e tropical, havendo forte tendência ao aparecimento de animais negros ou com faixa reduzida.
         Caracteriza-se por ter cabeça de tamanho médio, perfil nasal sub-côncavo, orelhas do tipo asiáticas eretas e levemente inclinadas.
         São animais vigorosos, ativos e muito dóceis, sendo excelentes mães e possuindo boas carcaças, não possuindo o couro duro como os suínos comuns, é considerada uma raça com características paternas.

6- ETAPA DO ESTÁGIO SUPERVISIONADO.

6.1 Limpeza e desinfecção das baias
        
         Em criações intensivas, a freqüência da ocorrência de doenças e sua gravidade estão diretamente relacionadas com o nível de contaminação ambiental e esse por sua vez depende do sistema de manejo das instalações e do programa de limpeza e desinfecção (PLD) em uso na granja.
         A adoção de um programa de limpeza e desinfecção é um dos componentes indispensáveis dentro do conjunto de práticas de manejo presentes nas granjas com suinocultura eficiente e lucrativa.
         Entre os benefícios que um bom programa de limpeza e desinfecção traz ao criador pode-se citar:

Ø   Melhoria no desempenho e produtividade dos animais;
Ø   Redução nos gastos com medicamentos por Matriz /ano;
Ø   Redução de animais refugos;
Ø   Redução dos gastos com mão de obra;
Ø   Redução na ocorrência de algumas doenças como: diarréias, doenças da pele, doenças parasitarias e respiratórias.
         No Setor de Suinocultura da UFPB - CCHSA- CAVN, procede-se a limpeza utilizando-se os seguintes materiais: mangueira, rodo, vassoura e pá. A limpeza é feita uma vez por dia no período da manhã, sendo realizada da seguinte forma: Joga-se água sobre as fezes e dejetos, que em seguida, são empurrados até o ralo com auxílio de um rodo ou vassoura, que seguem pelo canal de esgoto até uma vazante ao lado do Setor.

7- MANEJO ALIMENTAR
        
         No ramo da suinocultura, a alimentação representa cerca de 70 a 80% dos custos totais de produção. Para obter bons resultados em uma criação racional de suínos, é necessário dispor de um bom manejo alimentar, pois se os animais não receberem uma alimentação de qualidade e bem equilibrada podem não expressar todo o seu potencial genético e produtivo, podendo assim acarretar prejuízos ao criador. Os suínos são animais monogástricos com ceco simples não funcional e com pequena capacidade de armazenamento e absorção de nutrientes e por isso que necessitam de uma ração balanceada e adequada a cada fase do desenvolvimento.
           No Setor de Suinocultura da UFPB – CCHSA – CAVN, os animais recebem ração concentrada farelada a base de farelo de milho, soja e trigo, nas seguintes proporções: 72,81% milho, 14,56% de farelo de trigo, 12,13% de farelo de soja e 0,48% de sal, são feitos semanalmente 412 kg de ração. Recebem também uma complementação com restos de alimentos provenientes do restaurante universitário (RU) e soro de queijo oriundo do setor de laticínios do Departamento de Gestão e Tecnologia Agro Alimentar (DGTA/CCHSA-UFPB). A ração é fornecida diariamente de acordo com a fase de cada animal.

7.1 Matrizes em lactação

         Na fase da reprodução onde os animais têm uma maior necessidade nutricional, devem receber um cuidado redobrado em relação a alimentação, recebendo de 3 a 3,5 kg de ração farelada seca no período da tarde.






7.2 Matrizes secas

         A estes animais é ofertada uma quantidade de 1 a 2 baldes (15 litros) de sobras de alimentos oriundos do restaurante universitário (RU) no período da tarde.


7.3 Reprodutores

         Esses animais recebem ração concentrada farelada na proporção de 1,5 a 2,5 kg por animal no período da tarde.

7.4 Leitões desmamados

         Esses animais recebem 0,7 a 1,0 kg de ração por animal de uma a duas vezes ao dia.

8- MANEJO REPRODUTIVO

         Em uma criação suínicola, o manejo reprodutivo é uma atividade de suma importância, pois se os animais destinados à reprodução não realizarem essa etapa com êxito toda cadeia produtiva falhará.
         Para que ocorra um bom manejo reprodutivo é preciso ter animais adequados para tal tarefa. Para a escolha de uma boa matriz devem ser levadas em conta algumas características, como:
Ø  - Ter uma cabeça feminina, com mínimo de papada;
Ø  - Aprumos perfeitos, o andar correto;
Ø  - Bom comprimento e bom espaçamento entre costelas;
Ø  - Traseira e peitos largos;
Ø  - Bom número de tetas de preferência emparelhadas e sem defeitos;
Ø  - Ser proveniente de uma boa leitegada, ter um comportamento dócil e calmo.

8.1 Fêmeas

         Logo após o desmame são levadas para baias próximas aos reprodutores, para que com a proximidade do macho o cio da fêmea seja estimulado. O ciclo estral da fêmea é dividido em 4 fases, pró-estro que dura de 1 a 3 dias, estro ou cio que dura de 2 a 3 dias, meta-estro que dura de 2 a 3 dias e diestro com duração de 7 a 12 dias.
         A cobrição ocorre quando a fêmea está em estro ou cio, sendo este identificado quando nota-se uma modificação comportamental da fêmea, com a mesma ficando  agitada, montando nas outras e aceitando ser montada, a vulva fica inchada e avermelhada, a fêmea deixa que o tratador se aproxime e toque seu lombo e quando isso ocorre, ela está pronta para a cobertura, Identificado o cio, a fêmea é levada até a baia do macho onde ocorre a cobrição, sendo o ideal que sejam feitas no mínimo três coberturas a cada ciclo estral com um intervalo de 12 horas entre as cobrições, por  exemplo: a primeira pela manhã, a segunda a tarde e a terceira pela manhã do dia seguinte. Depois disso, se a fêmea não entrar em gestação só apresentará o cio novamente após 21 dias.

9- MATRIZES GESTANTES

         No Setor de Suinocultura da UFPB – CCHSA – CAVN, após a cobertura a fêmea passa por um período de observação que dura 21 dias, para confirmação de prenhes. No Setor se a fêmea não apresentar, nenhum sinal de cio, após 21 dias é considerada prenha.
         No período da gestação que tem uma duração de 114 dias, a matriz necessita de cuidados especiais, principalmente nos primeiros dias da gestação, que são considerados os mais críticos, evitando assim ao máximo expor os animais ao estresse, fornecer uma ração balanceada em quantidade adequada e de boa qualidade, água limpa e em abundância.

10- PARTO

         O local do parto deve ser limpo e com o mínimo de ruído possível. Recomenda-se que o prédio da maternidade deve ser separado do restante das instalações da granja. Antes de receber as matrizes gestantes, a sala de maternidade deve ficar em vazio sanitário por pelo menos cinco dias independente do modelo de construção (celas ou baias convencionais). As fêmeas devem ser transferidas para as baias de maternidade pelo menos sete dias antes da data prevista para o parto, para que possam se acostumar com o novo ambiente. Devem-se verificar o estado de funcionamento dos bebedouros, comedouro e preparar o escamoteador para os leitões.
Uma atenção especial deve ser dada ao sistema de fornecimento de água para a maternidade, pois uma matriz em lactação consome em media 20 a 30 litros de água por dia, portanto é importante que a vazão de cada bebedouro seja de pelo menos 2 litros por minuto. 
No Setor de Suinocultura da UFPB – CCHSA - CAVN as baias de maternidade são lavadas com água, depois são flambadas com uma vassoura de fogo, por último é aplicado uma solução a base de cal mineral virgem para diminuir a quantidade de microorganismos patógenos no ambiente.
         As matrizes são levadas para as baias de maternidade com 7 a 10 dias para a data estimada do parto. Antes de ser conduzida até a baia de maternidade, recebem um banho para evitar que ela contamine os leitões na hora do parto.

10.1 Manejo durante o parto e lactação

         O parto nas matrizes suínas ocorre geralmente à noite com um percentual de 75% dos casos. Com duração média de 4 a 6 horas. Durante o período de estágio foi possível acompanhar vários partos e realizar o manejo mais adequado, que consiste em secar os leitões com um pano limpo e seco ou papel toalha, cortar o umbigo, cortar os dentes e colocar o animal para mamar o colostro mais rápido possível. Com a massagem dos leitões sobre as tetas da matriz, também estimula a produção e liberação do hormônio ocitocina, que é responsável pelas contrações uterinas no momento do parto. Em seguida, é retirado da baia os restos placentários e outros dejetos do parto, a fim de evitar que a matriz possa ingerir esses restos, e desenvolva o hábito de comer os leitões praticando assim o canibalismo.
         No período de lactação o manejo diário consiste na limpeza da baia e fornecimento de ração, como também uma verificação se a matriz esta produzindo leite na quantidade necessária para suprir as necessidades dos leitões. É verificado também se ela tem algum tipo de enfermidade, efetuando em seguida o procedimento mais adequado para cada caso.

11- MANEJO COM OS LEITÕES DESDE O NASCIMENTO ATÉ O DESMAME

         Ao nascer, o leitão possui os sistemas de termo regulação e imunitários, pouco desenvolvidos. Após o nascimento faz-se necessário a realização de algumas práticas de manejo especiais.

11.1 Limpeza dos leitões

         Os leitões devem ser limpos e secos assim que nascerem para evitar a perda de calor deve-se remover os restos de placenta bem como os líquidos fetais.
         No Setor de Suinocultura da UFPB – CCHSA - CAVN o manejo é da seguinte forma: os leitos são limpos com o auxílio de um pano limpo e seco ou papel toalha, removendo os líquidos fetais ao redor da cavidade bucal e narinas para evitar a obstrução das vias respiratórias. Em seguida limpa-se o restante do corpo, massageando o dorso para ativar a circulação sanguínea e estimular a respiração.





11.2 Corte e desinfecção do cordão umbilical

         O cordão umbilical é o elo entre a mãe e o feto no período de gestação, é através dessa via que substâncias nutritivas e oxigênio são levados ao feto, e parte dos catabólicos são eliminados.
         Embora o processo de cicatrização e queda do umbigo seja relativamente rápido (3 a 5 dias) o cordão umbilical pode servir de porta de entrada para microorganismos causadores de infecções localizadas (onfalite e artrite) ou generalizada (septicemia). Para reduzir este risco recomenda-se logo após o parto a ligadura e corte do cordão umbilical, que deve proceder da seguinte maneira:
         Utilizando um barbante mantido em álcool iodado a 10%, amarra-se o cordão umbilical cerca de 3 a 5 cm da inserção, em seguida corta-se o restante do cordão umbilical juntamente com o excedente do barbante aplicando imediatamente uma solução repelente cicatrizante (mata bicheira).

11.3 Corte dos dentes

         Os leitos nascem com oito dentes, sendo, quatro caninos e quatro pré-molares. A dentição provisória é constituída de 28 dentes, 12 incisivos, quatro caninos, e 12 molares. A dentição completa por sua vez é constituída de 44 dentes dispostos nos maxilares superiores e inferiores, da seguinte forma: três pares de incisivos, um par de caninos, quatro pares de pré-molares e três pares de molares em cada maxilar.
         Os oito dentes existentes ao nascer são relativamente pontiagudos e sua tendência é crescer para fora da cavidade bucal. Para evitar que os leitões causem ferimentos as tetas da matriz, que por sua vez podem vir a infeccionar e causar problemas mais sérios, o corte dos dentes é realizado logo após o nascimento. Para tal, utiliza-se a técnica com o auxílio de um alicate específico, corta-se os dentes (as presas), sendo importante que seja realizada bem rente a gengiva do animal, tomado cuidado para não ferir a gengiva do leitão.

11.4 Fornecimento de calor suplementar ao leitão recém nascido

         Durante a vida intra-uterina, a temperatura do leitão é bastante alta e constante em relação à vida extra-uterina. A temperatura do leitão recém nascido cai de 1,7 a 6,7°C, logo após o parto, e por esse motivo faz-se necessário o fornecimento de uma fonte de calor complementar, para tal é usado o escamoteador, que é um compartimento dentro da baia de maternidade que só os leitões têm acesso. No escamoteador é colocada uma fonte de calor que pode ser uma campânula ou até apenas uma lâmpada incandescente. Ao nascer o leitão necessita de uma temperatura constante de 30 a 32°C com o passar do tempo essa necessidade cai, estando por volta de 18 a 15°C no quarto dia de vida.

11.5 Primeira mamada

         O leitão nasce praticamente sem nenhuma proteção imunológica, pelo fato de nunca ter tido contato com agentes infecciosos durante a vida intra-uterina. Os anticorpos ou imunoglobulinas produzidos pela mãe, para sua proteção e do leitão não são transferidos através da placenta.
         O leitão recebe passivamente os anticorpos através do colostro, porém a capacidade para absorver os anticorpos é limitada, uma vez que o epitálamo do leitão se torna praticamente impermeável as imunoglobulinas, 24 a 36 horas após o parto.
         Portanto quanto menor for o período entre o parto e a primeira mamada menor será o risco de uma infecção, por isso é de essencial importância os leitões mamarem na primeira hora de vida.

11.6 Marcação

         Realiza-se a marcação com o intuito de identificar os animais na granja. Existem várias formas de marcação; tatuagem, chapas metálicas, brincos, etc. No entanto, tem-se o sistema australiano de marcação como o mais prático e seguro, sendo recomendado pela Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS), é adotado no Setor de Suinocultura da UFPB – CCHSA - CAVN. Este sistema de marcação consiste em realizar cortes (mossas) nas orelhas dos animais, cada mossa corresponde a um valor numérico, podendo marcar sem repetição até 1599 animais diferentes.

sistema australiano de marcação2               CAMJODGZ
Figura 10; sistema australiano de marcação               figura 11; alicate de marcação

         Após completa desinfecção da relha do animal realiza-se os piques com auxilio de alicate apropriado para essa função, os cortes de número 100, 200, 400, 800 só podem ser realizados uma vez, os cortes 1 e 10 podem ser realizados duas vezes, os cortes 3 e 30 podem ser utilizados ate três vezes.

11.7 Pesagem e escrituração dos leitões

         A pesagem e escrituração dos leitões é uma prática de suma importância, que serve para acompanhar o desempenho dos leitões bem como das matrizes e dos reprodutores.
         Os leitões são pesados e é anotado o numero de massa, número de tetas, peso e sexo em ficha apropriada (Anexo 01) sendo que no Setor de Suinocultura do CCHSA os leitões nascem pesando em média de 1 a 1,5 kg.




11.8 Medicação preventiva contra anemia ferro priva

         Ao nascer o leitão traz consigo uma quantidade de ferro que é insuficiente para seu pleno desenvolvimento. A mortalidade devido a anemia em criações onde os leitões recebem ferro única e exclusivamente através do leite materno varia entre 9 a 60%. Para manter seu desenvolvimento normal, a necessidade de ferro de um leitão é de 5 a 10 mg/dia, o leite materno supre apenas 10 a 20% das necessidades reais dos leitões, o que significa dizer que o restante 80 a 90% são retirados dos depósitos do organismo.
         Visando suprir essa necessidade no Setor de Suinocultura do CCHSA, é aplicado 2 ml de ferro dextrano por via intramuscular profunda no segundo dia de vida do animal.

11.9 Castração

         Castração é a prática de manejo de caráter cirúrgico realizado com o objetivo de evitar a venda de carne de animais inteiros ao consumidor, devido ao odor e sabor desagradáveis que não são eliminados nem destruídos pela cocção ou processo de industrialização.
         A castração dos leitões destinados à terminação pode ser realizada em qualquer idade, porém, existem vantagens que favorecem a castração nas primeiras semanas de vida, entre elas são citadas:
Ø   Os leitões estão confinados e são mais acessíveis;
Ø   Pouca mão-de-obra, uma pessoa para conter o leitão e outra para realizar a castração;
Ø   Facilidade da operação;
Ø   Ocorrência de hemorragia é rara;
Ø   Cicatrização rápida e insistência de risco ou complicação na operação;
Ø   Menor chance de ocorrer infecções;
Ø   Menor estresse para o animal.
         No Setor de Suinocultura do CCHSA a castração é realizada obedecendo à seguinte seqüência.

         1° contenção, o animal é imobilizado de forma que fiquem presos os membros anteriores e posteriores voltados para cima;

         2° desinfecção, a bolsa escrotal é desinfetada com uma solução a base de álcool iodado a 10%, a fim de reduzir a quantidade de microorganismos no local da incisão;

         3° corte e exteriorização do testículo, é feito um corte longitudinal na bolsa escrotal de modo que o testículo venha a ser exteriorizado de maneira pratica, em seguida procede-se o rompimento do cordão espermático, que tem cor branca, em seguida o vaso sanguíneo que irriga de sangue o testículo, esse é torcido e raspado até eu rompimento. Todo esse procedimento evita uma posterior hemorragia no local da cirurgia.

         4° aplicação de substância repelente cicatrizante, logo após a retirada dos testículos o local é limpo com o auxílio de um papel toalha para se retirar restos de sangue e deixar o corte limpo, logo após é aplicado no local um repelente cicatrizante com o propósito de se evitar que a mosca faça sua ovoposição no local e provoque uma Miiase (bicheira), dessa forma acelera o processo de cicatrização.

 11.10 Desmame

         Entende-se por desmame a separação dos leitões das matrizes. Em qualquer idade o processo de desmame é extremamente difícil para o leitão. Além da perda do contato com a mãe, ocorrem outros fatores estressantes, tais como:  Troca da alimentação, passando do leite a uma ração sólida; supressão da imunidade passiva, perda da proteção de anticorpos proporcionada pela ingestão do leite; troca de ambiente pela mudança de cela parideira para os boxes, gaiolas ou baias de maternidade; tensões sociais, resultantes do reagrupamento após o desmame;
         A tentativa de minimizar todos esses fatores pode significar a diferença entre o sucesso ou fracasso no crescimento durante o período pós-desmame. No Setor de Suinocultura do UFPB-CCHSA-CAVN, o desmame é feito aos 35 dias de idade. Os animais desmamados ficam no setor por um prazo de 10 dias, em seguida são comercializados para pequenos criadores da região com o preço de R$ 8,00 de peso vivo/ leitão.  

12- APLICAÇÃO DE MEDICAMENTOS

A eficácia de uma vacina ou de um medicamento preventivo ou curativo depende fundamentalmente de como e quando devem ser aplicado, do estado em que se encontra o produto, e de sua qualidade.
         A técnica de aplicação e a escolha do local orientam-se conforme o tamanho, o estado de nutrição, e a espécie do animal, e também com a finalidade do tratamento. Na aplicação de medicamentos somente se obtém um resultado desejado quando é aplicado na concentração correta, na via correta e no momento certo. A aplicação de medicamentos requer um Médico Veterinário para diagnosticar, prescrever e acompanhar o processo de tratamento.

12.1 Técnicas de aplicação

         A técnica de aplicação seguiu, de modo geral, uma recomendação específica para cada espécie sendo comum para todas elas. Entende-se como técnica de aplicação ou de administração de medicamentos a observação da via de aplicação recomendada pelo fabricante deve ser acompanhado de cuidados específicos nem sempre encontrado nas recomendações técnicas encontradas nas bulas dos medicamentos.


12.2 Local de aplicação

         Cada medicamento tem uma fórmula específica que permite sua aplicação de uma ou mais formas. Assim dependendo da fórmula o fabricante indica a via mais apropriada de aplicação, o que não tem o mesmo significado de local de aplicação. Entende-se por via de aplicação, a via pela qual o medicamento ou vacina será introduzido no organismo do animal, já o local de aplicação é entendido pelo local no exterior do animal em que a via de aplicação será encontrada.

12.3 Técnicas, locais e formas de aplicação de medicamentos em suínos.

Aplicação subcutânea

         A aplicação subcutânea deve ser feita nos locais onde existe suficiente tecido conjuntivo subcutâneo frouxo, com a finalidade de se obter uma rápida difusão do medicamento, evitando pressões excessivas no local da aplicação.

Aplicação intramuscular

         É a via tradicional de aplicação de medicamentos injetáveis.
         Em leitões essa técnica de aplicação pode ser empregada na musculatura do pernil ou na musculatura do pescoço.
         Em animais adultos, em suínos em crescimento em crescimento e terminação recomenda-se a aplicação na tabua do pescoço, uma vez que nessa região existe uma camada muito fina de tecido adiposo.
        
13- PRINCIPAIS DOENÇAS
        
         Assim como nas outras espécies são varias as doenças que acometem os suínos, podendo acarretar sérios prejuízos ao produtor ou até mesmo a eliminação de todo o rebanho, visto que a grande maioria destas doenças tem uma fácil disseminação, depois de instaladas na propriedade podem acometer todo o rebanho, comprometendo assim a produtividade dos animais. Essas podem ser causadas tanto por vírus, como é o caso da Peste suína e Erisipela, quanto por bactérias que é o caso da Colibasilose, ou ainda por meio de Endo e Ecto-parasitos, um exemplo é a Cisticercose. Porém no período de estágio foram verificadas as seguintes enfermidades; Miiase (bicheira), sarna, e diarréia.

13.1 Miíase (bicheira)

Bicheira é a designação usual e popular da doença que cientificamente recebe o nome de miíase cutânea. Esta enfermidade é caracterizada pela infecção da pele dos animais por uma grande quantidade de larvas da mosca chamada Cochliomyia hominivorax.
As fêmeas destas moscas depositam seus ovos sobre as feridas e, depois de aproximadamente um dia de incubação, surgem às larvas. Depois de maduras, as larvas caem no solo e passam por transformações até chegar à forma adulta e iniciar um novo ciclo.
Como reconhecer: Os sintomas são claros: caracteriza-se por uma ferida aberta com mau cheiro, com sangramentos e presença das larvas no local, ocorrendo necrose dos tecidos e como conseqüência posterior, a possibilidade de retardamento do processo cicatricial. Em lesões mais graves o animal tem a sua vitalidade reduzida e pode ocorrer a perda das funções dos tecidos lesionados. Nos ferimentos causados pelas bicheiras ocorrem invasões de microorganismos diversos, levando ao aparecimento de uma infecção purulenta, que piora o caso clínico do animal. Estas são as infecções secundárias causadas por bactérias.
Como tratar: Para o tratamento curativo das miíases são utilizados produtos organofosforados na forma líquida, pó, pasta ou "spray" ou produtos injetáveis à base de avermectinas.
         A forma mais eficiente de se tratar uma bicheira é colocar o produto inseticida na lesão com posterior remoção das larvas mortas. Uma característica da mosca da bicheira é colocar os ovos de dentro para fora da lesão, ficando na forma de camadas (interna, média e superficial), por isso, deve-se fazer a retirada das larvas para que se possam atingir a camada mais profunda, fazendo com que o medicamento funcione corretamente. A utilização de antibióticos pode ser necessária para o tratamento de infecções secundárias.
Como evitar: Evita-se a enfermidade através do controle estratégico da mosca, ou seja, realizando dois tratamentos por ano. O primeiro no início da estação seca, com produtos à base de piretróides na forma de pulverização, imersão ou pour on e o segundo, no início da estação chuvosa, com produtos à base de organofosforados. Para o controle efetivo da mosca da miíase, essas aplicações devem ser regionais, ou seja, realizadas por todos os proprietários da área a ser controlada. Produtos endectocidas (avermectinas) também previnem as bicheiras.

13.2 Tratamentos de artrites em leitões

          As artrites são conseqüências de alterações inflamatórias intra-articulares, com ou sem envolvimento das estruturas periarticulares, podendo ser de origem infecciosa ou traumática. Os agentes etiológicos são: Streptococcus sp., Arcanobacterium pyogenes e Staphylococcus aureus.

Sintomas e lesões

          Em leitões com artrite traumática, a articulação intercarpianas, geralmente, são mais atingidas. Observam-se alterações na pele, aumento de volume e da sensibilidade local, com evolução freqüente para generalização da lesão. São comuns também as lesões nas articulações do tarso e do carpo. A fricção de pele dessas regiões no piso das celas parideiras, por ocasião das estimulações para a mamada, e a não realização do tratamento do umbigo em recém-nascidos, predispõem ao problema. Os leitões deslocam-se com dificuldades, apresentam crescimento retardado, perda de peso e ocorrem sintomas gerais com anorexia e elevação da temperatura corporal.


13.3 Tratamento

          No Setor de Suinocultura do CCHSA, o tratamento é realizado da seguinte forma: aplicação de antiinflamatório (Azium ®) na dosagem de 1 ml/30 kg de peso vivo, via intramuscular, administrado na tábua do pescoço ou nas nádegas com dosagem de acordo com o peso do animal, e antibióticos específicos.

14- CONSIDERAÇÕES FINAIS

         Ao término desse estágio, tivemos a oportunidade de conhecer melhor a criação de suínos do setor de suinocultura do Centro de Ciências Humanas Sociais, e Agrárias,  observando e praticado atividades relacionadas com a criação, como o manejo reprodutivo, alimentar, sanitário, além de definir melhor as raças existentes e mais indicadas para a produção de carne.
         Desta forma o estágio teve como objetivo aperfeiçoar os conhecimentos adquiridos durante o curso Técnico em Agropecuária, permitindo o treinamento para atividade suínicola.




Silva, M. S. S - Manejo de Suíno em Sistema-Intensivo/Relatório Técnico, Bananeiras, 2006
A cadeia produtiva da carne suína no Brasil. Disponível em: http://porkworld.com.br/artigos/post/a-cadeia-produtiva-da-carne-suina-no-brasil 15105. Acesso em: 25/11/2010
BONETT, L. P., MONTICELLI, C.J. Suínos: o produtor, a Embrapa responde. Brasília: Embrapa-SPI, Concórdia: Embrapa Suínos e Aves, 2009, 243 p.
O desafio de criar suínos com sanidade. http://porkworld.com.br/artigos/post/o-desafio-de-criar-suinos-com-sanidade-2. Acesso em 25/11/2010.
SAAB, M.S.M.; CLÁUDIO, L. D. G., A cadeia produtiva da carne suína no Brasil. Pork World, v.8, n.49, 2010.









 






Anexos



fiha                                    Anexo 01: Ficha de controle individual


Anexo2: tabela de cobrição e parto

tabela cobertura e parto


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